quarta-feira, 26 de março de 2014

Trem (2004)

Retomando o blog, depois de um grande hiato. Devagar e sempre, como diria nosso velho Brás, andando pelas ruas barcelonenses com dúzias de papelões às costas.
Essa foto acima eu tirei em 2004, especialmente para um concurso municipal chamado "São Caetano em Foco". A imagem acabou premiada com menção honrosa e foi selecionada para a exposição organizada na sequência, com todos os ganhadores do concurso. É a mesma foto que acabou entrando em página dupla na última revista Raízes (Dezembro de 2013), mencionada em um post anterior, que tinha como tema central a fotografia. Na cena fotografada, vê-se o trem da CPTM indo em direção à Estação de Utinga. Ao fundo, o bairro Barcelona em São Caetano, com destaque para a Igreja Ortodoxa Russa. Do jeito que o tempo passa, logo logo essa imagem urbana já fará parte da História, essa senhora com H maiúsculo que conta e mostra tudo o que aconteceu no mundo enquanto a gente envelhece.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Turma na Revista Raízes nº47!

Ultimamente, graças a uma equipe de redação muito solícita e atenta, tive oportunidades pontuais na Revista semestral Raízes, mantida pela Pró-Memória e Prefeitura de São Caetano do Sul. Além de uma matéria em parceria com meu pai, João Massolini, sobre a Ordem Rosacruz, também consegui que publicassem uma matéria ampla sobre a saga da minha família em São Caetano do Sul ( da parte da minha mãe), desde a construção da casa no Bairro Barcelona pelo meu avô materno, Ricardo Pareja Marigo, em 1948 ( casa em que moro atualmente). Neste número 47, que comemora 25 anos do periódico, não publiquei matéria, mas tive a honra de participar com uma página inteira da Seção Fotos & Memória - na edição passada eu já havia conseguido publicar uma foto do meu pai como goleiro do time do extinto Banco São Caetano. Na nova edição, selecionaram três fotos das oito que mandei: uma com a turma do EEPG 28 de Julho posada no Rancho Ranieri em 1982 ( muitos aqui conhecem esta foto - é aquela que tem mais de 20 pessoas, entre alunos e agregados, já publicada aqui neste blog - http://entupa.blogspot.com.br/2011/03/uma-foto-emblematica-rancho-ranieri.html); uma foto minha e do Átila na banda Noé e Seus Náufragos e uma última retratando meus primos, eu e minha irmã em uma festinha típica dos anos 70.  A página ficou uma beleza! um único porém é que a foto do Rancho ficou em tamanho menor quer o esperado, o que dificulta a visão dos integrantes do "fundão" na cena. Mas esse detalhe técnico não encobre a importância da "turma" entrar literalmente para a História, com H maiúsculo, nas páginas de uma revista tão conceituada e importante como essa. Como eu mandei outras fotos, pode ser que apareçam outras na próxima edição (dezembro 2013). E como agora eu já sei que este período mais recente da História, anos 70/80, é um verdadeiro "buraco" no acervo da Pró-Memória, vou selecionar outras, com certeza. A nossa turma e a nossa história merecem esta divulgação e esse registro.
Lembrando que o exemplar pode ser retirado gratuitamente na sede da Pro Memória, na Av. Dr. Augusto de Toledo, 255 (ao lado do Teatro Santos Dumont).

terça-feira, 19 de março de 2013

Cerâmica e Matarazzo

Matarazzo, década de 40
Retomando as atividades do nosso blog, posto uma dica duca do excelentíssimo Léo Engelmann, conhecido de quase todos que aqui frequentam. A matéria foi feita pela equipe do Rudge Ramos Jornal, versão eletrônica, e traz os pioneiros da indústria sulsancaetanense e consequentemente os milhares de trabalhadores que fizeram da cidade seu chão presente e futuro.
http://www.metodista.br/rronline/videos/reportagens/2013/03/ceramica-e-matarazzo-sao-marco-na-historia-de-sao-caetano

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Na próxima revista Raízes, histórias do Seu Ricardo e família

Na próxima quinta (13), sai mais uma revista Raízes, referência quando se fala em revista de História/Memória ligada à um municipio. E mais uma vez tive a honra de poder participar da revista, graças ao convite da sempre gentil Paula Fiorotti, editora da publicação semestral. Desta vez, resgatei a história do meu vô Ricardo e suas filhas, entre elas minha saudosa mãe, que aportaram na divisa da cidade no longínquo ano de 1948 e também na subsequente vinda de meu pai ao bairro ( ele que nasceu na Rua Rio de Janeiro, em bairro vizinho). Consegui ilustrar a matéria com ótimas fotos da família de 1948 aos anos 70 e não vejo a hora de vê-las publicadas. Na seção de imagens da revista também serão publicadas fotos do meu pai como goleiro em sua juventude. Pena que ainda não consegui fotos do meu vô Antonio como goleiro da GM nos anos 30 (o arqueiro Testão) - um dia ainda encontro. O lançamento da revista, que é gratuita, será na Câmara Municipal de São Caetano, na Avenida Goiás, 600,  a partir das 19h30. Espero vocês lá.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Exposição dos Beatles na Barcela

O Bairro Barcelona anda muito parado. Além das décadas sem procissão, o que já é um fiasco, a prefeitura resolveu também bandear a corrida de Reis, que passava pela Rua Oriente e adjacências, mas agora finda na Av. Kennedy sem mesmo triscar no bairro. É por essas que, quanto mais eventos culturais no miolo barcelonense, melhor. Com esse intuito, eu e meus amigos Henrique Valsésia ( proprietário da Ibérica Idiomas, na Rua Taipas, esquina com a Joana Angélica) e Mario Mastrotti (cartunista famoso no ABC, está com estúdio também na Taipas) resolvemos homenagear uma das melhores bandas de todos os tempos: The Beatles. Segue o release:
O ano de 1962 foi um marco na fulminante trajetória de quatro garotos de Liverpool, que em pouco tempo explodiriam nas paradas musicais do mundo todo. No dia 05 de outubro daquele ano foi lançado o single “Love me Do”, de uma certa banda chamada The Beatles e a cultura pop jamais foi a mesma a partir de então. A “1ª Expo Beatles” surge exatamente para celebrar os 50 anos da discografia oficial do grupo. Além de discos de vinil, fotos raras, perfis, bootlegs e itens colecionáveis expostos, o evento trará também em sua inauguração, som ambiente com os discos originais da banda, memorabilia, filmes, sorteios, caricaturas ao vivo a preços populares e muito mais. A exposição marcará também o início das atividades do Fã Clube Beatles One, que aceitará inscrições no local. O intuito dos organizadores é justamente este: reunir o maior número de fãs da banda inglesa em uma grande celebração. A Expo Beatles tem como idealizadores o cartunista e editor Mario Dimov Mastrotti, o empresário e ex-integrante da banda progressiva Renascença Henrique Valsésia e o jornalista e blogueiro Marcos Massolini.
1ª Expo Beatles Local: Ibérica Cultural & Idiomas – Rua Taipas 645 –  São Caetano do Sul Data: Abertura 09/12/2012 (até 30/01/2013) A partir das 16 horas Entrada FrancaINFARTO AGUDO MIOCÁRDIO

sábado, 13 de outubro de 2012

14 de outubro de 1.977

Corínthians Campeão Paulista de 1.977, após 23 anos.








Rogério Engelmann



13 de outubro de 1.977



Data inesquecível, para muitos corinthianos, com certeza. E, talvez, para alguns pontepretanos.

Há exatos trinta e cinco anos, o Corínthians voltou a ser campeão paulista, após vinte e três anos sem conquistas, ao vencer a Ponte Preta de Campinas. Eu, corinthiano, claro, vibrei muito.

Naquela época o corinthiano era espezinhado, não tinha muito o que falar dos outros, era o “sofredor”, só chacota.

O Corínthians, porém, chegou na final contra a Ponte Preta, após uma campanha sofrida, com altos e baixos que não davam muita confiança. O título foi decidido numa melhor-de-três.

A Ponte havia vencido o Corínthians não fazia muito tempo, no fim do segundo turno do campeonato. Fui ao estádio assistir esse jogo. Ingresso comprado na hora, muito empurra-empurra, quase não consegui entrar. Mal vi o jogo, fiquei de pé num corredor, atrás de um mar de gente, garoto que era não consegui chegar na arquibancada. Jogo duríssimo, verdadeira batalha, num Pacaembú apinhado com recorde de público até hoje: inimagináveis 71.000 (setenta e uma mil pessoas!). Naquela noite a Ponte bateu o “Coringão”: 2x1.

E chegou o dia do primeiro jogo da final. Foi bom jogo, o Corínthians foi bem, mas poucos se lembram do gol de Palhinha. Após uma arrancada que até hoje faria inveja, mandou uma bomba que o Carlos, grande goleiro da Ponte que depois viria defender o Corínthians e a Seleção Brasileira, rebateu. Defesa impossível, típica do Carlos. Só que no rebote, a bola espirrada voltou para o Palhinha, que, com a cara literalmente, “cabeceou” de volta na direção do gol vazio. Final da primeira decisão: 1x0 Corínthians. Começamos bem. Grande expectativa para o segundo jogo, a festa vai ser domingo, um bom dia para ser campeão.

Num domingo inacreditável, o Estádio do Morumbi lotado, mais um recorde de público até hoje: 141.000 (cento e quarenta e uma mil pessoas), quase todos corinthianos. Nunca vi tantas bandeiras juntas. Após a festa, vem o jogo, e com ele a inacreditável vitória do heróico time da Ponte Preta. O Morumbi calado. Placar final: 2x1 Ponte Preta. Gols de Rui Rei, que também viria a defender o Corínthians tempos depois; e de Dicá, sempre nosso carrasco. E tome agonia. Não dava pra acreditar. Inacreditável mesmo, no duro.

Mas, na Noite Final, um 13 de Outubro brumoso, os 86.000 torcedores que estavam no Morumbi e os milhões de corinthianos de todo Brasil viram o time do coração voltar a ganhar um título paulista, após 23 anos. Num gol prá lá de chorado, Basílio, camisa 8, redimiu a Nação Alvinegra aos 37min do segundo tempo. Poderia ser gol de Vaguinho, que mandou uma bomba no travessão, ou de Wladimir de cabeça, que o zagueiro da Ponte Preta tirou em cima da linha. Sobrou para Basílio, que fez um a zero. Final de jogo: 1x0 Corínthians. Um a zero. Um a zero! Campeão! Loucura geral.

A torcida, invadiu o campo, aos milhares. A rede do gol do título foi arrancada e seus pedaços viraram relíquias, sagradas. Depois derrubaram a trave. Depois a outra. Muitos em prantos, outros atravessando o campo de joelhos, enrolados em bandeiras. A polícia não deu conta.

Diz a lenda (talvez seja apenas estória...ou não...) que o Basílio teria saído do Morumbi pela saída de público, após pular do campo para a geral, dada a impossibilidade de voltar aos vestiários. E foi-se embora pra casa a pé, sem camisa, aquela número 8 listrada, sagrada e perdida na confusão, alguém levou. Mas ia ainda de calção, meião e chuteiras, flutuando, em estado de graça. De madrugada, já longe do estádio, torcedores passando de carro o teriam reconhecido na rua e lhe dado carona.

Não sei da veracidade disso, mas não duvidaria não...

Tanto Vaguinho como Wladimir poderiam ter marcado. Tinham as credenciais junto à torcida, são ídolos até hoje. Wladimir, ídolo maior até. Mas a bola sobrou para o discreto Basílio, que encheu o pé com vontade. Com fé.

Ungido.

Na noite da decisão da Copa Libertadores, agora em 2012, senti, saudoso, o mesmo clima da decisão do longínquo campeonato paulista de 1977.
Num Pacaembú de exatos 39.600 assentos numerados, a barulhenta mas comportada torcida assistiu a conquista numa noite também histórica. Houve choro, mas não houve invasão de campo.

Nosso herói de hoje, Emerson, que não se chama Emerson, fez os dois gols da vitória. Talvez não possa ser chamado de discreto. Ou ainda, de ungido. Embora seja indiscutivelmente esforçado. Comemorou muito, mas não tirou nem perdeu a camisa 11 branca, que talvez tenha virado uma relíquia particular.

Diferente do lendário Basílio de trinta e cinco anos atrás, Emerson anda de carro importado, blindado, cercado de seguranças, milionário que é. De certa forma também é predestinado. Em três anos, três títulos brasileiros seguidos, mas por três clubes diferentes. Após o título da Libertadores, quer o Mundial.
É eficiente. Frieza profissional.

E, com absoluta certeza, não pulou o alambrado, e nem foi embora pra casa a pé.

Rogério Engelmann, corinthiano.


Na imagem acima, dois corinthianos. Eu e o Léo, em 1.977.