quinta-feira, 7 de abril de 2011

Claudemir Vendrusco (Neno)

Há três semanas faleceu um dos caras que mais se divertiu na nossa juventude dos anos 80 e que certamente deixou também aquela década mais divertida. As minhas primeiras lembranças dele remontam aos churras futebolísticos e etílicos que fazíamos nos clubes industriais de Utinga no início daquela década ( em breve postarei fotos antológicas do "Churra Transformer", o mais famoso da turma). O Neno apareceu por esses tempos com seus vizinhos de rua ( Américo -Quequé -, João Alfredo Zanforim, Gérson...) e se no início ele era um tanto tímido e pouco festeiro - sua família era muito religiosa e reservada - aos poucos foi se enturmando, e logo estava participando de viagens e aventuras heróicas junto à turma. Foi muito para o "ap mais famoso de Boqueirão", o do João Zanforim, e estava na famosa viagem de Carnaval em Monte Sião ( com Ivan, Quequé, Sachetão, Vladimir, acho que o Maguila, entre outros). Aliás, o Ivan me prometeu pra breve a história de como o Nenão ganhou o apelido de "Capivara" nesta viagem.
A Turma se dispersou na virada da década de 80 e eu, entre viagens de trem até a Lapa e andanças pelas redondezas, cheguei a ver o Neno muitas vezes, primeiro nas noites lotadas do Chaplin Bar ( onde me foi apresentada sua Kombi de guerra), entre 1989 e 1995, e depois em Utinga, época em que ele trabalhava na oficina mecânica do Barba. Neste novo século, depois de casar, ter dois filhos e continuar trabalhando onde Judas perdeu as botas, cheguei a encontrá-lo, mas muito pouco. Até que nos últimos tempos, finalmente trabalhando em São Caetano, voltei a vê-lo com frequência. Embora com o mesmo riso sarrista e o humor intacto, era nítido seu estado físico debilitado: os abusos e excessos das décadas passadas e mesmo as adversidades cotidianas da vida o haviam enfraquecido demais. No dia 15 de março, uma terça, dei uma esticada até a Avenida da Paz e conversei um pouco com ele em frente ao ferro velho do Gê, pra quem ele vinha dando uma força. Riu, brincou, falamos de contas a pagar e ele, mesmo aparentando cansaço, me disse que precisava ir até o Centro de Santo André resolver umas coisas. No dia 17/03, após uma bronco-pneumonia e internação no dia anterior, ele veio a falecer. Eu só soube uma semana depois e só estou escrevendo essa homenagem agora, porque fiquei aguardando algumas fotos dele pela turma; como sei que é bem complicado encontrar imagens nossas da época, acabei soltando assim mesmo. O Nenão era simples e não vai se importar com a falta de enfeites. E com certeza vai rir, de onde estiver, das histórias que aos poucos surgirão por aqui.
Pode descansar agora, nobre Neno.

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