sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Barcelona no DGABC

A minha, a sua, a nossa velha Barcela virou foco de uma boa matéria do Diário do Grande ABC na segundona (dia 12). A reportagem em questão, se concentrou em tópicos interessantes como a dualidade da população, que adora o bairro e ainda o sente com ares interioranos, mas ao mesmo tempo sente-se insegura diante do aumento dos assaltos e do trânsito.
Mas vamos à matéria ( na íntegra, abaixo); os negritos são meus e se referem a alguns destaques que eu selecionei ligados à História. Entre os moradores entrevistados, por exemplo, são citadas as duas irmãs da quitanda da Taipas, a mesma família do nosso antigo colega de "28 de Julho", Carlos Massanori Oshiro. Também "negritei" citação à inauguração do novo CECAPE, que está exatamente no lugar do nosso antigo Mercado Municipal, além de outras referências ligadas aos primórdios do bairro.

Barcelona é Interior em plena S.Caetano

Camila Galvez
Diário do Grande ABC (12/09/2011)

Se você perguntar o que os moradores do Barcelona, em São Caetano, gostam no lugar, a maioria vai citar o sossego e a tranquilidade como um dos principais benefícios do bairro com cara de Interior. Alguns, porém, afirmaram que a chegada de novos edifícios tem feito o trânsito se complicar em algumas ruas nos horários de pico. O desenvolvimento também trouxe insegurança, e os assaltos são as principais reclamações.
Mesmo assim, a dona de casa Valdinéia Quinhones Bassim, 48 anos, não troca o bairro onde nasceu e criou os filhos por nada. "Os vizinhos aqui se conhecem e se chamam pelo nome." Ela aproveita os dias de sol para passear com o cãozinho Nino na pista de caminhada ao longo da Avenida Nazareth. Muito frequentada por moradores do bairro, está localizada em terreno da Eletropaulo, que soube aproveitar o local como opção de lazer. A área é mais disputada no período da manhã, quando muitos idosos aproveitam para se exercitar.
O comércio também é apontado como ponto forte do Barcelona. Para o estudante Paulo Simões, 20, é bom viver em um lugar onde não é necessário ir muito longe para conseguir aquilo de que precisa. "O bairro está se desenvolvendo muito, e a Prefeitura investiu em obras que vão melhorar ainda mais, como esse centro para professores." O jovem se refere ao Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação Dra. Zilda Arns, previsto para ser inaugurado no dia 29, às 18h, na Rua Tapajós, 300.
O centro irá oferecer capacitação e aperfeiçoamento a todos os educadores da rede municipal. O prédio tem 5.800 metros quadrados de área construída, cinco salas de aula, auditório, salão para exposição, duas salas de oficinas, biblioteca e midiateca e duas salas de reunião multiuso.
SEGURANÇA
Para o zelador Paulo Babachinas, 48, a expectativa é que o novo empreendimento traga mais segurança. "Precisamos de policiamento aqui. Hoje mesmo tinha um morador de rua tentando quebrar um vidro de um carro na frente do prédio. Chamei a polícia e simplesmente não apareceram."
As comerciantes Ângela, 38, e Olga Oshiro, 44, também reclamaram da onda de assaltos. "Nosso comércio nunca passou por isso, mas temos medo", disse Olga. Ela e a cunhada mantêm quitanda tradicional no bairro, com mais de 52 anos. "Era do meu avô. Quando ele chegou aqui, as ruas eram de terra", contou Ângela.
Valdinéia também citou problemas na Rua Campos Salles, onde roubos de carros são comuns, segundo ela. "É preciso ficar atento, porque o bairro está crescendo muito e isso acaba atraindo gente com más intenções."

Um pedacinho de Minas na Rua Taipas
Rua Taipas é o coração comercial do bairro Barcelona. Bancos, correios, lojas de roupas, artigos domésticos, bares, lanchonetes e padarias se confundem pelo passeio reformado recentemente pela Prefeitura.
Quem anda por ali encontra tudo o que precisa. E se ficar cansado, pode dar uma paradinha no número 545, em uma porta pequena que poderia passar despercebida, mas que está sempre movimentada: a lanchonete As Mineiras.
Há 14 anos Rosangela Lúcia da Silva, 49 anos, vende salgados, pão de mandioquinha, bolos variados, roscas e o tradicional pão de queijo mineiro, tudo feito com carinho pelas mãos delicadas da pequena - e ágil - comerciante.
O lugar está sempre lotado de fregueses, que chegam a pé e de carro para provar as delícias de Rosangela. Em pouco mais de meia hora no estabelecimento, não houve um momento sequer em que ela ficou sem atender aos clientes.
Em meio a uma rosca coberta com coco e leite condensado e um pão de queijo quentinho saindo do forno, ela conversou com o Diário. "Sou mineira e resolvi trazer para cá as delícias da minha terra", contou.
Que o diga Solange Xavier, 51, também comerciante do bairro. Ela anda cerca de cinco quadras a pé só para provar as delícias de Minas. "Minha cunhada mora em São Bernardo e, quando vem me visitar, sempre quer passar aqui e levar os doces para casa. Não tem como resistir", opinou.
E qual é o segredo de tanto sucesso, Rosangela? "É que aqui é igual coração de mãe: sempre cabe mais um."

Gente de um bairro com muitas histórias
Ainda no tempo do News Seller, o Diário publicou, em primeira página, a foto e história de uma carta endereçada a moradores de Vila Barcelona que, antes de chegar ao seu destino, em São Caetano, deu uma esticada até Barcelona, na Espanha. Erro dos correios, claro, mas que simboliza o ineditismo da denominação. Afinal, quantas outras Vilas Barcelona existem por esse Brasil afora?
E a Vila Barcelona original, hoje transformada em bairro Barcelona, tem muitas histórias. Como a do proprietário de lotes que diante da investida municipal para a denominação das ruas escolheu a da sua vaca Flórida para uma das principais do bairro - Rua Flórida. Houve momento em que quiseram mudar o nome. O povo do bairro não deixou.
Um povo ligadíssimo à religiosidade e à Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Que construiu uma capela, uma segunda capela, até chegar à igreja atual, moderna e cativante, a duas ou três quadras, e na mesma Rua Oriente, da Igreja Ortodoxa, na esquina com a Rua Campos Sales, já no bairro Santa Maria. Do outro lado, próxima à estrada de ferro, a igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala, na Rua dos Ucranianos.
Historicamente, Vila Barcelona foi loteada pela Sociedade Anônima Fábrica Votorantim, com 70 quadras, no começo dos anos 1920, em terras que pertenciam ao Banco União de São Paulo, cuja massa falida foi adquirida por Antonio Pereira Inácio, o loteador. Há uma planta de memória de São Caetano, referente a 1910, feita por Casério Veronesi, que mostra no miolo da atual Vila Barcelona, a casa do cidadão Chico Ricardo. E na estrada de ferro, a casa de conserva da SPR (estrada de ferro São Paulo Railway). 
O TREM
A estação de Utinga, inaugurada em 1933, transformou-se, desde logo, em excelente opção aos moradores de Vila Barcelona e outros bairros de São Caetano. E passou a ser motivo de propaganda para os próprios loteamentos, que colocavam em seus reclames de vendas de terrenos a informação de que o bairro tinha perto dele uma estação de trem.
Os trens de passageiros passavam de manhã, bem cedo, levando e trazendo trabalhadores. E também no fim da tarde. As composições mais comumente transportavam mercadorias. Quando o matadouro dos Martinelli foi transferido da Avenida dos Estados para Utinga, a SPR tratou de implementar um desvio de trilhos para que a boiada encomendada fosse descarregada no matadouro.
DESENVOLVIMENTO
Foi a partir da emancipação de São Caetano (1948) que a área do hoje bairro Barcelona começou a se desenvolver urbanisticamente. Até então, a Avenida Goiás era a única a ter pavimentação a paralelepípedos. No primeiro governo municipal - do engenheiro Ângelo Raphael Pellegrino - a prefeitura ampliou o calçamento no itinerário dos ônibus: o trecho da Rua Alegre entre a Goiás e a Oriente, mais a Taipas, Joana Angélica, Alameda Cassaquera, Rua Paraguaçu, Alameda São Caetano até a Rua Retirada da Laguna (hoje Arlindo Marchetti, já no bairro Santa Maria).

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