sexta-feira, 29 de junho de 2012

Novidades Jurássicas - junho 2012



# Junho não teve nenhuma grande novidade ligada à velha turma, mas nem por isso foi menos movimentado. Só uma novidade ( veja na última nota) já valeu o mês.

# A caça às fotos perdidas da Turma do Ponto continua à todo vapor. Os últimos lances aconteceram nesta semana. Primeiro, resolvi ligar para o Carlão (irmão do Zequinha) que ainda mora em São Caetano com sua mãe (Dona Cida) pois passou pela minha cabeça que talvez a foto do Opala Tétanus com a turma possa estar esquecida em alguma caixa ou álbum, quem sabe? O Carlão não estava, mas a Dona Cida, que me atendeu, prometeu que vai dar uma vasculhada.

#Na sequência, aproveitei que estava nas proximidades do Asilo do Lions na Av.Kennedy e resolvi checar, mesmo na dúvida se o Fábio já havia feito isso. Pra quem não sabe da história, o nosso Fabinho, em suas mudanças de casa, acabou perdendo um grande material da época que incluía lembranças, fotos da turma e vinis (um tesouro!) que acabou sendo doado sem seu consentimento para o citado asilo. Não adentrei o recinto com muitas esperanças por saber que essa doação não era nada recente. Fui atendido com muita simpatia por uma senhora e logo depois pela madre superiora que também foi muito solícita. A notícia realmente não foi das melhores, mas não me tirou por completo a esperança: a instituição de caridade fica com roupas e objetos para o seu brechó, mas cartas, documentos e fotos acabam indo para a Pró-Memória de São Caetano. Então, a próxima etapa certamente será uma visita aos arquivos do Pro-Memória.

# Aliás, pra quem não sabe, o Pro-Memória fica sempre de portas abertas para qualquer cidadão que queira consultar o arquivo iconográfico da cidade. Inclusive lá tem muitas imagens sem identificação nenhuma e os historiadores até fazem campanha para que os moradores ou ex-moradores passem por lá justamente para ajudá-los nessa investigação de locais e nomes que ficam sem dados conclusivos para arquivamento. O arquivo fica no mesmo prédio da biblioteca municipal Paul Harris, ao lado do Teatro Santos Dumont, na Av. Goiás.

# Por fim, uma notícia inacreditável: quando liguei para a Dona Cida, soube de uma novidade daquelas: Carlos Alberto Pereira, ou Carlão para a Turma do Ponto ( e Gordo para quem o conhecia desde pequeno) vai se casar no mês que vem. É isso mesmo: um dos últimos solteirões da velha turma se amarrou. Fiquei tão passado com a notícia que nem perguntei mais detalhes. A única confirmação é que ele vai continuar em São Caetano.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Externato Santo Antônio

( o bom filho... ) Sim, gente. Estou voltando, devagar. O tratamento contra a Hepatite é, graças a Deus, um sucesso. Falta pouco pra acabar. E entre um Interferon e outro ( o remédio dá um bom bocado de reações ), aproveito para falar dessa fase muito festiva em escolas.

Ah, as Quermesses. Embora caindo no esquecimento, algumas delas ainda teimam em marcar território. Uma delas é a da Igreja de São João Batista, no Rudge Ramos. Mesmo não tendo quadrilha e ter um congestionamento de barracas, resiste.

Outra dessas quermesses que resistem ao tempo é a do Externato Santo Antônio, ocorrida no final de semana passado. Mas o progresso condena antigas tradições.

O relato que colo aqui é da Celina Araújo. Ele esteve no encontro de ex-alunos do ESA durante a Quermesse.

É de doer.

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Ficaram apenas o padre, os palhaços e a pizza



É, fazia 21 anos que eu saíra de lá, sem nunca mais ter visitado a parte interna do colégio onde estudei da 3ª à 8ª série, quando existia 1º grau. Educadores modernos, poupem-me de converter esse período para o sistema atual – mas vocês devem concluir que seria o equivalente aos 4os e 9os anos de hoje em dia.

Amigos leitores, também não vou tomar seu tempo descrevendo com pieguice o que a escola representa na história de vida da gente – todo mundo sabe que ela, os professores e os amigos de infância são marcantes na biografia de qualquer pessoa.

Assim como o portão principal da General Motors faz parte da paisagem da Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, SP, a fachada do Externato Santo Antônio (ESA), com suas letras pastilhadas em mosaico, também fazia. E há muito tempo eu passava por ali e via um pretencioso ar de modernidade naquelas letras sobrepostas, pinturas azul-turquesas e fotos de ex-alunos bem-sucedidos no vestibular.

Dos amigos que ainda moram em São Caetano, ouvia dizer que o ESA é reconhecidamente uma “escola forte”, que completava 80 anos de fundação sobrevivendo à feroz concorrência com a educação comercial moderna, mantendo-se como referência na cidade. Claro que, como ex-aluna, muito me orgulhava.

Celina Araújo e, ao fundo, o
ladrilho do Padre Luis Scrossoppi,
na parededo prédio do Ginásio


Como muita gente de trinta e poucos anos, reencontrei a turma de 1991 do ESA na internet, foi um grande prazer. Ano passado alguns deles foram à tradicionalíssima festa junina, postaram fotos e fiquei com uma inveja enorme deles terem abraçado a Irmã Liliana e saboreado a gordurosa pizza que transbordava mussarela pelos lados. Desta vez, quando o pessoal colocou o convite novamente no Facebook, não perdi tempo e me agendei para estar lá no dia 16 de junho, como sempre, no fim de semana seguinte ao dia de nosso patrono Santo Antônio.

Chegando lá, minha euforia era enorme, parecia até que estava embarcando nas tão aguardadas excursões para o Playcenter. A Ana Luisa, que me acompanhava, confessou ter ficado com vergonha quando eu abordava alguns pais e mães de alunos sem qualquer cerimônia, indagando de cara: “você estudou aqui, eu lembro!” Indescritível a emoção de voltar e identificar as referências do passado.

Neste ponto, fiquei desapontada. No pátio central, onde a festa junina é realizada, tudo mudou: nada de playground, bancos de madeira, nada de árvores, quase nada de plantas - afinal, tudo agora é coberto. Excelente poder usar a quadra externa nos dias de chuva, mas precisava cobrir o pátio todo? A ventilação ficou muito comprometida, a acústica causaria arrepios aos meus amigos da Associação Brasileira para a Qualidade Acústica (Pró-Acústica) e a unidade arquitetônica é um caso a ser denunciado ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Ex-alunos, vocês só reconheceriam ali os latões de lixo em formato de palhaço e a imagem azulejada do Padre Luis Scrosoppi, o fundador da Congregação das Irmãs da Providência. 

O 'palhaço', um dos inúmeros
lixos que havia no pátio do ESA

Aliás, administradores do ESA, segue aqui um pedido: nesse ímpeto de destruir uma edificação que permaneceu linda por tantas décadas e priorizar novas construções de gosto duvidoso, por favor, preservem as pinturas do padre e também aquela de Jesus com as criancinhas, na Rua Marechal Deodoro. Honestamente, sempre achei de um purismo chato aqueles arquitetos e historiadores que lutam pela preservação dos prédios, mas agora estou lamentando que eles não tenham atuado no ESA.
Claro que foi importante realizar obras de acessibilidade, renovar banheiros e bebedouros e criar espaços para atender a novas necessidades, como a recepção aos pais. Mas não posso me conter quando percebo que a fachada original foi totalmente descaracterizada sem qualquer benefício aparente, assim como aconteceu com o pátio central.

Uma fuga rápida para onde era
a 8ªC, classe da Celina. Eram 5
salas, e eu estudei na 8ªE
Educação moderna, na minha opinião, é muito mais do que construir prédios novos. Passa por proposta pedagógica inovadora, professores e funcionários atualizados e também estrutura física atualizada. Destruir mais uma parte da escola para construir um estacionamento vertical com vagas a serem alugadas para a iniciativa privada? Não, não acho que a educação moderna passe por aí. Se você também é saudosista e não entendeu esta última parte, explico: parece que a nossa antiga quadra coberta está sendo destruída para dar lugar ao tal estacionamento com quadra suspensa, localizados em uma das áreas mais valorizadas da cidade. 

Ah, está curioso para saber se a pizza feita pelas madres e comprada no recreio continua a mesma? Infelizmente, quase não se veem madres no Externato, ouvi dizer que elas agora são apenas meia-dúzia (literalmente seis) no total. E a pizza não é mais dobrada ao meio, a massa ficou grossa e a temperatura, muito fria. Acabei de conferir que Luiz Scrosoppi foi canonizado santo em 2001. São Luiz Scrosoppi, rogai pelo nosso ESA!

Celina Araujo é jornalista e ex-aluna do Externato Santo Antônio (ESA).



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Participei do Jubileu de Ouro do Externato Santo Antônio, sabe-se lá em que ano foi isso. Acho que em 1990, sei lá. Não havia sequer ainda nenhuma pista da reforma que o Externato sofreria.

Aliás, o que acontece no Externato hoje é exatamente a cara de São Caetano: especulação imobiliária, derrubamento de locais históricos ( como a construção de um shopping center caríssimo onde era parte da Indústria Matarazzo, no bairro Cerâmica ).

Fica aqui um convite. Sabe aquela pessoa da família que quem fotos de todos os parentes? Ligue para ela, leve um computador e um scanner e puxe tudo. Em breve, infelizmente ( não sei até que ponto ) a cidade de São Caetano do Sul tenderá a ser um grande Externato Santo Antônio sem madres.

E com pizzas feitas de ovo choco.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Corpus Christi: os bons tempos da Barcelona colorida e unida

No Face, o Léo leu e compartilhou. Logo em seguida também vi e aproveito para postar aqui. O nosso Paulo Sacheta deixou suas impressões saudosas sobre um tempo muito bom em que nossa 'Vila Barcelona' enfeitava-se toda neste mesmo feriado de Corpus Christi. Tempos em que moradores de todas as idades (8 a 80), ficavam o dia e a noite toda enfeitando sua rua com muita criatividade e muita serragem colorida. Pena que os tempos modernos não comportam mais essa comunhão artística. Deixo aqui uma imagem da época ( crédito: Pró-Memória SCS) e o pequeno mas grandioso texto do Sachetão.

"Hoje estava navegando um pouco como sempre, e me deparei com uma foto que me fez voltar uns 35 anos. Me lembrei que o dia de Corpus Christi era muito aguardado pois minha avó me levava para passear pelo bairro Barcelona para vermos os tapetes de serragem que eram produzidos madrugada adentro pelos moradores, onde os mesmos, reuniam-se em uma celebração de amizade com uma mistura de alegria.
São coisas que infelizmente não vemos mais, muitas vezes sequer conhecemos nosso vizinho, mal o cumprimentamos. Nosso filhos infelizmente não saberão ou conhecerão este trabalho tão lindo que nossa comunidade fazia.
Mesmo assim fica aqui marcado a minha lembrança da minha infância, e a todos que participaram direta ou indiretamente deste tempo que também possam reviver um pouco desta época. Estou colocando uma foto que infelizmente não é de São Caetano mas serve para exemplificar esta arte tão bonita".

* Sorry, Sacheta, mas como a foto que vc postou não era a do nosso bairro, troquei por esta abaixo. Com certeza vc vai gostar mais. Na imagem (sem data) vemos a Rua Alegre com o tapete característico pronto. Detalhe interessante na foto: a residência à direita da foto, onde se percebe duas pessoas encostadas no portão escuro é a casa dos irmãos Ricardo e Marcelo Mazuras, conhecidos de muitos aqui.





segunda-feira, 4 de junho de 2012

Exposição "28 de Julho - 60 anos": encontros emocionantes

"28 de Julho", no início dos anos 50
No sábado (2) rolou a exposição "28 de Julho - 60 anos", nas dependências do referido "grupo escolar" (era assim que a gente chamava escola...). A produção do evento impressionou e incluiu painéis grandes na parede,projeção de imagens, álbuns temáticos ( jogos escolares, formaturas, desfiles, etc) e até um cantinho exclusivo para tirar fotos, com a decoração copiando com exatidão aquelas cenas clássicas das décadas passadas, com o aluno posado, de diploma na mão e o globo terrestre e a estante completando o ambiente à volta. Outra sacada muito interessante da equipe do 28 ( sob a batuta da profª Shirley) foi a presença do cantineiro responsável pelo clássico lanche "chaparral" ( queijo, presunto e vinagrete no pão de forma na chapa). Este lanche existia na cidade mas no 28 surgiu um pouco depois das nossas turmas - a nossa época, como bem disse Vevé, era pão com molho, groselha com leite, coxinha de massa de batata, etc, copyright da família do Mauro Coxinha. E por falar em Vevé, mais uma vez a sua turma foi "presencial" e compareceu em peso: o próprio Arnaldo "Vevé", Marcão Tafner, Paulo Sacheta e depois, Sergio Magrelo e Waguinho. Outra turma sempre ponta firme foi a da Rose Fantinatti - compareceram Débora Clauss, Suzete e pelo menos mais três amigas de classe (reconheci pela fisionomia mas os nomes fugiram). Da minha turma, nem relance. Mas pudemos ver nos álbuns e nas paredes, alguns bons momentos daqueles anos e pessoas que fizeram parte de nosso cotidiano: Profª Cleide ( a minha primeira professora do primário), Profª Hermínia, Profª Lígia, Profª Izaíra, a diretora Noêmia, e muitos, muitos colegas, de classe e de outras classes: Rogério Engelmann (posado com a classe em foto de 1973), Valéria Barthmann ( recebendo diploma), a classe do Vevé já citada ( Gerson Penal, Ronaldo - irmão da Regiane, Sachetão, Tafner, Marcelo Mazuras, etc), Francisco Lammenda ( o nosso Fran), posado em vários fotos - afinal, ele passou por várias turmas vinteoitanas, entre outros. Tanto a minha turma (formada em 1982) como a da Rose/Debora Clauss (formada em 1983) não foram agraciadas na mostra com imagens gerais, mas confesso que não consegui visualizar todo o acervo presente. Alguns ficaram decepcionados, mas como a maioria do material exposto foi doado ou emprestado para o 28, não teve jeito de contornar essas lacunas - o arquivo oficial da escola mesmo, não tem um material histórico abrangente. O mais interessante é que muitos alunos pioneiros da escola sexagenária compareceram com material, fazendo com que a mostra viesse em sua maioria com fotos da primeira metade dos anos 50 ( um deles, estava lá com seu mini-álbum fotográfico do 28 na mão, datado de 1955). Conversando com a coordenadoria, fiquei sabendo que haverá outro evento no final do ano, e cogita-se até um desfile com uniformes antigos e mais documentos de alunos (quem sabe, lá, mostrarão minha carteirinha de 1975 que eu cedi para as comemorações). E fica a deixa para o pessoal da nossa época abrir suas gavetas, arquivos e porões e ceder imagens e documentos para que a escola possa ter um acervo maior.
No mais, uma manhã de sábado emocionante pra quem conseguiu ir e pôde não só presenciar tudo isso que eu descrevi acima, mas também - essa eu deixei pro fim - poder conversar novamente ao vivo, in loco, tete a tete, com mestres da nossa infância como Dona Mitie, Dona Neusa ( professora e depois diretora) e Dona Jane ( que continua igualzinha). Até já combinamos para o próximo Entupa chamar essas professoras/professores e juntá-los numa mesa só - já pensaram? podíamos até aproveitar o momento e passar uma prova pra eles. rs
(obs: as fotos abaixo foram tiradas pela Rose Fantinatti e a Debora Clauss. Até a semana, eu posto as da minha máquina).
Rose, Tafner, Profª Jane, Sachetão, Malu e Vevé